Somos uma casa. Nascemos arrumados e inteiros. Janelas abertas.
Paredes caiadas de branco e jardins com canteiros cheios de flores.
Aos poucos, a tinta vai ficando suja.
As flores dos canteiros secam e fechamos as janelas com medo do sol.
Vamos ficando desarrumados e poeirentos.
Tudo por causa dos invernos gelados da dúvida e do medo
e dos verões tórridos da maldade.
É preciso cuidar da casa que somos.
É preciso retocar a tinta e regar as flores.
É preciso abrir as janelas ao sol da esperança… é preciso não ter medo de
abrir as janelas. Habitamos este lugar sagrado, dádiva do imenso amor que
nos transcende.
É preciso amá-lo. Mantê-lo arrumado e limpo.
Se não cuidamos da casa que somos tornamo-nos sem-abrigo de nós
mesmos
e invariavelmente caímos na tentação de habitar outras casas qu não nosy
pertencem, tentando forçar fechaduras e arrancar flores dos canteiros.
Somos casa.
Para recebermos bem quem nos visita, temos de nos arrumar e reconstruir
vezes sem fim.
Não há outra maneira de amar.
Sim… Porque no fim de contas, amar a casa que somos
é o começo para amar melhor quem nos vem visitar.
Fabíola Mourinho
Diretora Técnica da CMA
14/02/2026
30 Aniversário CMA
Poema-CASA


